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Especialistas: abertura para carne brasileira pelo Japão impulsionará setor
Especialistas analisam o impacto da possível abertura do mercado japonês para a carne brasileira e como isso pode influenciar os valores no Brasil
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, projeta a abertura do mercado japonês para a importação de carnes bovinas brasileiras. O chefe da pasta integra a comitiva do governo brasileiro em viagem ao Japão.
Em entrevista à CNN, Fávaro afirmou que os governos brasileiro e japonês estão em tratativas para viabilizar a entrada de carnes nacionais no mercado nipônico.
“Nós já temos um avanço previsto a partir dessa viagem, onde eles [japoneses] devem anunciar a visita de pessoas experientes que possam visitar o Brasil, conhecer o arranjo produtivo brasileiro, as plantas frigoríficas”, falou Fávaro.
Em paralelo, o ministro da Agricultura e Pecuária projeta que, em maio, o Brasil receberá a certificação da Organização Mundial de Saúde Animal, atestando o país como livre de febre aftosa sem vacinação, o que é uma exigência do Japão.
“Nós vamos dar o passo principal para que o Brasil possa abrir o mercado japonês para a carne bovina”, acrescentou.
O pesquisador do FGV Agro, Felippe Serigati, avalia como uma “boa notícia” a eventual liberação da carne bovina brasileira no mercado japonês. O especialista explica que as negociações com os nipônicos envolvem uma série de protocolos e que a pecuária nacional atender a essas exigências é uma boa sinalização para outros consumidores.
“O Japão tem um conjunto de protocolos mais exigentes do que alguns outros mercados. Então, quando se consegue colocar uma carne nossa nesse mercado, isso sinaliza que esse produto brasileiro tem tal qualidade a ponto de conseguir justamente acessar esses mercados mais rigorosos”, afirma Serigati.
O especialista exemplifica que, ao acessar o mercado japonês, a carne bovina brasileira ganha evidência de qualidade para negociar com outros compradores.
De acordo com dados da plataforma ComexStat do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria, do Comércio e dos Serviços, o Japão é o 11º país que mais compra produtos do Brasil. Em 2024, os valores das exportações ao Japão somaram US$ 5,577 bilhões.
Café torrado, minério de ferro, carnes de aves, alumínio e carne suína foram os produtos mais exportados para o Japão no ano passado.
O economista da LCA 4Intelligence, Fábio Romão, afirma que a projeção de maior exportação de carne bovina ao Japão pode demorar a ser percebida. O especialista cita a venda de carne de frango ao mercado japonês como exemplo de exportação que não impacta a oferta doméstica.
Romão diz que a atual pressão sobre o preço da carne se dá devido ao fato de que parte do rebanho mundial está fora do período de abate e aos reflexos das estiagens do segundo semestre de 2024. O acréscimo da compra japonesa da carne bovina brasileira não vai encarecer o preço da proteína nos supermercados locais.
“Entendemos que esta atual pressão (nessa intensidade) é episódica e que, já em 2026, poderemos observar a moderação na formação dos preços de bovinos no Brasil. As informações mais recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) sobre o recorde na produção de carne bovina no Brasil no primeiro bimestre de 2025 reforçam essa expectativa”, disse Romão.
Por outro lado, o sócio-diretor de novos negócios da Peers Consulting + Technology, Edson Kawabata, argumenta que a exportação de cortes mais caros da carne bovina ao Japão pode elevar os preços praticados no Brasil.
O especialista faz um paralelo entre o encarecimento da arroba do boi gordo e os percentuais de exportação.
“A arroba do boi gordo na B3 teve alta de 27,3% em 2024, com crescimento de 26% nos volumes e 22% em valores de exportação em relação a 2023, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e da Associação Brasileira das Indústrias de Carnes (Abiec)”, finaliza.
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