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Dólar tem ligeira alta em dia negativo para divisas emergentes
Após trocas de sinal ao longo do dia, o dólar fechou a sessão desta quinta-feira, 5, cotado a R$ 5,2535 (+0,08)
Após trocas de sinal ao longo do dia, o dólar fechou a sessão desta quinta-feira, 5, cotado a R$ 5,2535 (+0,08). Mais uma vez, o real foi destaque entre emergentes e pouco sofreu com o ambiente externo adverso, marcado por alta global da moeda americana, tombo do petróleo, preocupações com o setor de tecnologia e dados fracos do mercado de trabalho nos EUA.
Analistas ouvidos pela Broadcast sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado avaliam que a moeda brasileira ainda se beneficia da perspectiva de continuidade do fluxo externo para a bolsa doméstica, que subiu na contramão dos mercados acionários em Nova York, e pelo amplo diferencial entre juros interno e externo. Por ora, os ruídos locais, como aprovação de propostas de aumento de gastos no Congresso e as indicações às diretorias do Banco Central, têm apresentado influência reduzida na formação da taxa de câmbio.
A divisa flutuou ao sabor da dinâmica global. As máximas no início da tarde acima de R$ 5,28, com pico a R$ 5,2883, ocorreram no momento de maior estresse lá fora, com avanço de mais de 20% do VIX, conhecido como índice do medo. À medida que a aversão ao risco arrefecia lá fora, o dólar diminuía os ganhos em relação ao real, embora não tenha conseguido se aproximar da mínima registrada no fim da manhã (R$ 5,2353).
Para o diretor de Investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, Marco Antonio Mecchi, a “volatilidade institucional” americana, na esteira do vaivém do posicionamento do presidente Donald Trump, e, sobretudo, a piora fiscal nos países desenvolvidos abala o dólar e estimula uma diversificação global de ativos que favorece emergentes.
“A tendência é de continuidade dessa tendência de dólar mais fraco. Dias como esse são oportunidade de entrar no real”, afirma Mecchi, ressaltando que as divisas emergentes sofreram nesta quinta-feira com a alta do VIX e o mau humor em Nova York, com dados fracos do mercado de trabalho nos EUA.
O diretor da Azimut ressalta que, além do ambiente positivo para divisas emergentes, o real tem como trunfo um carry sobre vol – que relaciona o diferencial entre juros interno e externo com a volatilidade da taxa de câmbio – muito favorável.
“A taxa Selic deve cair até 12,5% ou 12%, um nível bastante elevado. A tendência estrutural ainda é de apreciação do real. O dólar pode ficar abaixo de R$ 5,10 neste primeiro trimestre”, afirma Mecchi, ressaltando que o mercado não está dando muito peso, por ora, às questões fiscais, como o aumento de gastos recém-aprovado pelo Congresso.
Lá fora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes – operou em alta ao longo do dia e subia cerca de 0,20% no fim da tarde, ao redor dos 97,800 pontos, após máxima aos 97,915 pontos. A libra caiu cerca de 0,80% em relação à moeda americana, na esteira da decisão do Banco da Inglaterra (BoE) de manter a taxa básica em 3,75% em placar dividido. O Banco Central Europeu (BCE) também manteve suas taxas inalteradas.
Principal indicador do dia, o relatório Jolts mostrou que a abertura de postos de trabalho nos EUA caiu para 6,5 milhões em dezembro, enquanto analistas previam alta a 7,175 milhões. Os números de dezembro foram revisados para baixo, de 7,146 milhões para 6,928 milhões. Monitoramento do CME Group mostra que as chances de corte de 25 pontos-base na taxa de juros pelo Federal Reserve em março subiram de cerca de 10% para pouco mais de 20% após a divulgação do relatório.
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