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Crescimento acelerado leva mercado a prever alta de juros para até 13%
Crescimento acelerado leva mercado a prever alta de juros para até 13%
O ritmo de aquecimento da economia brasileira pós-crise está pegando o Banco Central (BC) e os analistas do mercado de surpresa. O temor agora é com a volta da inflação em 2010, se a demanda por produtos e serviços se aquecer além da capacidade produtiva do País.
Na esteira das preocupações com a inflação, as taxas de juros de mercado já projetam alta da Selic do atual nível de 8,75% para próximo de 13% no início de 2011, num aumento total de 4 pontos porcentuais ou mais em pleno ano eleitoral.
Alguns analistas estão preocupados com a capacidade de o BC - especialmente no caso da saída de Meirelles - ministrar o remédio amargo do aperto monetário em 2010. Recém-filiado ao PMDB, o presidente do Banco Central avalia retomar a carreira política no ano que vem.
As projeções de crescimento para 2010 vêm aumentando em ritmo veloz. Hoje, o Bradesco já prevê 5,4%, há instituições como o Banco BBM que apostam em 5,7% e um documento de análise econômica da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que será divulgado na próxima semana, afirma que o Produto Interno Bruto (PIB) pode crescer até 7% em 2010. "Esse embalo da economia surpreendeu todo mundo", diz Beny Parnes, diretor executivo do BBM e ex-diretor do Banco Central.
O resultado do PIB do segundo trimestre, com alta de 1,9% ante o trimestre anterior, foi bem maior do que as previsões. O ritmo de recuperação da produção industrial também veio no topo das expectativas do mercado. O desemprego aumentou muito menos do que previsto no início do ano, e o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto, com a criação líquida - recorde para o mês - de 242.126 vagas formais foi outra surpresa positiva.
Agora, num ambiente em que começa a crescer o número de greves, Octavio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, prevê que "a maior parte das negociações salariais vai resultar em aumentos acima do INPC". Barros revela também que pesquisas internas do banco apontam que "os empresários industriais já começam a ver no ambiente econômico espaço para recomposição de margem e aumento de preço, e já identificam algum aumento de custo".
O Bradesco saiu na frente entre os principais bancos em prever o risco de sobreaquecimento. Em recente relatório, projeta que a Selic chegue a 12,25% em 2011. "É um cenário muito positivo, apenas apontamos a necessidade de recalibrar o ritmo de crescimento." O Bradesco prevê o primeiro aumento da Selic para abril.
Barros não crê na hipótese de o Banco Central não fazer um aperto monetário em 2010. Para ele, o BC tem consciência de que vacilar aumentaria o problema: "Os erros de política monetária se revelam rapidamente, em quatro meses; se não fizer o aperto, tem de fazer mais forte depois".
A inquietação do mercado reabriu a tradicional guerrilha entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central. Uma das principais constatações do mercado - endossada pelo BC no último Relatório de Inflação, mas incômoda para a Fazenda - é de que a política anticíclica (para estimular a economia na crise) foi baseada em grande parte em despesas permanentes, como aumentos de aposentadorias e de salários do funcionalismo. Em 2010, com a economia sobreaquecida, não há como voltar atrás nesses gastos.
"Esse tipo de medida expansionista é muito bom num ano como 2009, mas em 2010, quando você não precisa ser expansionista, ela permanece - alguém tem de agir para compensar isso, e tem de ser o BC", resume Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander e ex-diretor do BC.
Em reação a essas críticas, Nelson Barbosa, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, classificou na quinta-feira de "terrorismo fiscal" as análises que apontam os riscos inflacionários da política de gastos públicos.
O problema, porém, é que o Banco Central provavelmente se alinha com as preocupações do mercado, ainda que a projeção média dos analistas continue apontando a inflação em 2010 abaixo da meta de 4,5%.
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