Medida amplia acesso e simplifica o parcelamento de débitos não tributários
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Reforma tributária força tradings a rever modelo de negócios
Avaliação é de que o movimento exige adaptação rápida das empresas
O avanço da reforma tributária e a redução progressiva dos incentivos fiscais estaduais estão pressionando o modelo de atuação das tradings no Brasil. A diminuição escalonada dos benefícios de ICMS, especialmente em estados como Santa Catarina, tende a reduzir a competitividade de estruturas baseadas prioritariamente em economia tributária e acelera o reposicionamento do setor.
A perda gradual dessas vantagens impacta diretamente a margem das operações e pode comprometer a viabilidade de estruturas construídas exclusivamente com base na redução de carga tributária. A avaliação é de que o movimento exige adaptação rápida das empresas.
Para o Head da Barter Trading, Plínio Dias, o setor atravessa um ponto de inflexão. “A pergunta que o mercado precisa fazer não é se o benefício fiscal vai acabar, mas como as tradings vão se reposicionar antes que ele deixe de ser relevante. O modelo baseado apenas em incentivo tributário tem prazo de validade”, afirma.
Nesse cenário, a continuidade das operações, especialmente entre empresas de médio porte, passa a depender da ampliação do escopo de atuação. O foco deixa de ser apenas a intermediação fiscal e avança para a oferta de serviços integrados ao comércio exterior.
Entre as frentes apontadas pelo mercado estão a coordenação completa de embarques internacionais, gestão de documentação e compliance, controle de qualidade, estruturação financeira, monitoramento logístico e distribuição nacional com maior flexibilidade portuária.
Segundo Dias, a demanda dos clientes também mudou. “A empresa que importa ou exporta não quer apenas redução de imposto. Ela quer previsibilidade, segurança e eficiência operacional. Se assumimos a coordenação completa da operação, o cliente reduz estrutura interna e ganha escala”, diz.
Lógica tributária
Com o enfraquecimento dos incentivos estaduais, a escolha do ponto de internalização de mercadorias tende a deixar de ser orientada por benefícios fiscais e passa a considerar critérios estratégicos, como custo logístico, prazo e eficiência operacional.
“Sem a amarra do benefício fiscal, podemos operar em diferentes portos do país priorizando logística, custo e prazo”, afirma o executivo.
A incorporação de tecnologia aparece como eixo central dessa transição. Investimentos em sistemas próprios, automação e inteligência artificial têm permitido reduzir o tempo de desembaraço, ampliar a capacidade operacional e mitigar riscos.
“O ganho de eficiência é concreto. Processos que antes levavam horas passam a ser realizados em minutos com apoio de tecnologia. Isso muda completamente a competitividade da operação”, afirma Dias.
O movimento também deve intensificar a consolidação do setor. Empresas com maior capacidade financeira e estrutura de financiamento tendem a ganhar espaço, enquanto operações dependentes de incentivos fiscais enfrentam maior pressão para se adaptar.
Perspectivas
A tendência, segundo o executivo, é que o futuro das tradings esteja na integração de serviços e na gestão estratégica da cadeia de suprimentos. “Não é mais sobre aproveitar um incentivo estadual. É sobre coordenar ponta a ponta, integrar logística, tecnologia e gestão. Quem entender isso antes vai sair na frente”, afirma.
Esse reposicionamento já começa a ser observado no mercado. A Barter Trading, por exemplo, ampliou sua atuação para além do benefício fiscal e passou a estruturar um modelo baseado na integração de serviços, eficiência operacional e inteligência logística. A leitura é de que empresas com esse perfil estarão mais preparadas para um ambiente em que a competitividade dependerá menos de incentivos tributários e mais de capacidade operacional.
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